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Quem
chega a São Conrado, quer vindo da Gávea, pelo Túnel Zuzu Angel,
antigo Túnel Dois Irmãos, que corta o morro de igual denominação,
quer vindo do Leblon, pela Av. Niemeyer, que serpenteia pela orla
marítima, de imediato se vê frente a um monumento de pedra que se
sobressai sobre o verde do bairro : é a imponente Pedra da Gávea,
que se eleva a 840 metros de altura na região oeste de São Conrado.
A origem do seu nome se deve à alegada semelhança do topo da montanha
com a gávea de um navio. Outros vêm no contorno da parte superior
da Pedra o rosto de um homem, o "gigante que dorme", cujo
pé seria o Pão de Açúcar, tal como visto do mar. Do lado da Barra
da Tijuca o contorno do perfil da cabeça do gigante é claramente
visível. Segundo outros a cabeça do gigante seria obra de alguma
antiga civilização, que também teria deixado sinais (não confirmados)
em pedras e cavernas.
O acesso ao topo da montanha não é fácil, o percurso é longo e há
trechos em que o paredão a ser escalado exige ajuda de cordas e
cuidados especiais, mas a vista do alto é inigualável.
Recomenda-se que a subida se faça em grupos guiados por montanhistas
conhecedores do local.
A PEDRA DA GÁVEA E NOSTRADAMUS
(Publicado
no INFORME SÃO CONRADO do 3o. trimestre de 1999)
A cidade do Rio de Janeiro, espremida entre o mar e as montanhas,
tem consagrado a cada cem anos, não um acidente geográfico marítimo,
mas um relevo topográfico marcante como símbolo de cada século de
sua existência.
A cidade do Rio de Janeiro já nasceu no século XVI no sopé de um
morro, o Cara de Cão, hoje São João, local escolhido por Estácio
de Sá para fundá-la em 1565.
O século XVII pode-se dizer que foi o do morro do Castelo, antigo
São Januário, inteiramente arrasado em 1922, onde hoje se encontra
a Esplanada do Castelo, para onde Mem de Sá havia transferido o
governo e que veio a se transformar no coração da cidade naquela
época.
De 1733 a 1762 a cidade foi governada por Gomes Freire de Andrade,
o Conde de Bobadela, também conhecido como "Pai da Pátria",
em cujo governo foram executadas obras importantes, entre as quais
o aqueduto da Carioca, por ele reconstruído em 1750, e que, segundo
palavras do Barão do Rio Branco foi a única obra arquitetural verdadeiramente
notável que os portugueses deixaram no Brasil, ligando o morro de
Santa Teresa ao de Santo Antônio. Estavam assim, consagrados os
morros cariocas do século XVIII.
O século XIX foi sem dúvida o século do Corcovado. Em 1882, os engenheiros
Pereira Passos e João Teixeira Soares receberam do Governo Imperial
concessão para construírem a Estrada de Ferro do Corcovado, que
alcançaria em 1886, o Chapéu de Sol. Rapidamente o local, situado
próximo onde em 1931 viria a ser construída a estátua do Cristo
Redentor, se tornou o mais importante centro turístico da cidade.
O Pão de Açúcar foi o relevo do século XX. O curioso nome é originário
da semelhança com a forma cônica que era usada para solidificação
do melaço da cana de açúcar. Mundialmente conhecido como símbolo
da Cidade Maravilhosa, passou a disputar com o Corcovado a primazia
em ser o principal cartão postal do Rio de Janeiro. O primeiro trecho
do caminho aéreo do Pão de Açúcar foi inaugurado em 1912, ligando
a Praia Vermelha ao morro da Urca; o segundo, do morro da Urca ao
cume do Pão de Açúcar, com seus 390 metros de altura, começou a
funcionar em 1913.
Depois dos períodos em que os morros cariocas se notabilizaram por
atender as necessidades de sobrevivência da cidade - séculos XVI
ao XVIII, e depois de encantarem o mundo com suas belezas naturais
- séculos XIX e XX, chegou o momento de consagrar o morro carioca
do século XXI, ou quem sabe, do milênio.
Pela beleza, altivez, mística, majestade, imponência e muitos outros
adjetivos, pode-se garantir, sem qualquer dúvida, que o próximo
século será a era da PEDRA DA GÁVEA. Com seus 840 metros de altura
e encantamento, dominando São Conrado e a Barra da Tijuca, e enfeitando
toda a cidade do Rio de Janeiro, será o relevo carioca do século
XXI.
Por oportuno, lembramos que a Pedra da Gávea é parte do gigante
que dorme, cadeia de montanhas que mostra a quem a vê do mar o perfil
de um gigante cuja cabeça é a Pedra da Gávea e cujo pé é o Pão de
Açucar.
O mundo não acabou em 1999 como vaticinou Nostradamus, profecia
muita arriscada para ser concretizada, mas a afirmação de que a
PEDRA DA GÁVEA será o morro carioca do século XXI, por ser óbvio,
não tem o menor erro.
Quem viver, verá.
Alberto A. Cohen
Sócio Fundador da AMASCO
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