O Rio de Janeiro é lindo! O mar, garantia de saúde e lazer para todos; a montanha emoldura a paisagem com rara beleza.
Entre estas admiráveis dádivas, apertados, vivem cariocas na sua incrível cidade, apaixonante, porém, um desafio permanente à mobilidade. Os bairros se sucedem do centro à Zona Sul e à Barra, quase em fila indiana. Para acessar Copacabana, em 1950, foi construído o aterro do Flamengo ou do Botafogo, ou ainda de ambos, permitindo a ligação direta, sem cruzar a Glória, o Largo do Machado, o Flamengo e Botafogo. Mas para acessar Ipanema ainda é preciso passar por Copacabana; para chegar ao Leblon, por Ipanema; à Gávea, por Ipanema e Leblon, ou Jardim Botânico e Humaitá e, finalmente, para chegar a São Conrado, passaremos por toda esta fileira de bairros novamente.
Este é um problema existente, que superlota as vias troncais dos bairros da Zona Sul. Certo? Não, errado!
Este é um problema que recém começa a existir, pois suas dimensões, consideradas as taxas de crescimento da zona oeste e em especial da Barra da Tijuca e do Recreio (até 10% ao ano), serão exponenciais. Em São Conrado, provavelmente, estará um dos pontos mais críticos do “imbróglio”, dado que ali a via troncal é somente uma, a Autoestrada Lagoa Barra, e nela estará concentrado todo o tráfego da região.
Assim, São Conrado terá nesta estrada um permanente colar de automóveis e ônibus em trânsito dirigindo-se para os novos e crescentes bairros da zona oeste, afetando sua mobilidade interna, a qualidade do ar, a poluição sonora, tudo a comprometer o cenário paradisíaco do antes bucólico bairro.
O “truque” do aterro, solução genial para acessar Copacabana, aqui não será viável implementar, já que outro pedaço de mar não será justo, nem possível, roubar. A Linha Amarela, que poderia representar o pretendido “by pass”, também esta superlotada.
Resta uma solução capaz de inibir o caos que se aproxima: o METRÔ, ligando a Zona Sul a Zona Oeste, cruzando São Conrado pela via subterrânea.
Para resolver o problema maior de São Conrado, que é o desadensamento do tráfego de veículos no bairro, o METRÔ é a solução.
Pouco interessa agora, para o bairro, se a ligação irá por aqui ou por ali: o importante é que vá, e que esteja preparada para ir a todos os lugares no futuro, uma vez que tudo não pode ser construído de uma só vez.
Pouco interessa agora que a nova Linha venha a ter fim no Jardim Oceânico: o que interessa é que possa ir adiante quando possível e o quanto antes melhor.
O importante, o prioritário, é que o tráfego rodoviário que inferniza diariamente São Conrado e sua gente seja reduzido pela passagem subterrânea do METRÔ, o mais breve possível. Também é importante que a estação que servirá o bairro esteja localizada de forma a minimizar sua circulação interna e a assegurar plena acessibilidade, sem esquecer que a Rocinha faz parte do bairro e que, agora pacificada, ainda mais junto estará.
Deste modo, convido as associações de bairro a estudar, com os técnicos do Governo do Estado e da Concessionária, os sistemas de acessibilidade à nova estação, localizada no Largo da Macumba, capazes de propiciar a quem vem da praia, dos condomínios, ou do alto do morro a melhor forma de fazer uso do novo METRÔ que o Governo do Estado do Rio de Janeiro pretende ver funcionando em dezembro de 2015.
Não é demais lembrar que foram justamente esta interação e este diálogo, iniciados em 2010, os responsáveis pela relocalização da estação, antes afastada da Rocinha, bem como pela multiplicação dos acessos, hoje projetados para servirem aos condomínios dos dois lados da Autoestrada Lagoa Barra e também ao futuro teleférico, que desafogará a estrada da Gávea, servindo o alto do morro, o Laborieaux e, quem sabe, até o Vidigal.
Eng. Bento Lima - Diretor de Engenharia da Rio Trilhos |