Caros Moradores e Amigos

O bairro de São Conrado foi surpreendido pelas notícias da realização de um evento de grande porte em sua orla no próximo domingo 23/09. A AMASCO vem acompanhando o assunto junto às autoridades municipais desde a 1ª publicação na coluna da Marina Caruso do segundo caderno do jornal O Globo há algumas semanas.

 

A AMASCO ficou ainda mais surpresa ao constatar que nem a secretaria de eventos nem a Superintendência da Zona Sul estavam informados sobre o citado evento.

 

Nos primeiros contatos com os órgãos da prefeitura (Superintendência da Zona Sul e 6ª Região Administrativa), fomos informados que não havia nenhuma solicitação para tal. Nesse domingo 16/09, mais uma vez o Jornal O Globo (Globo Barra) informou sobre a realização do evento. Novamente contatamos os órgãos competentes que reafirmaram a inexistência de autorizações.

 

Sendo assim, a AMASCO conseguiu agendar uma reunião dia 18/09, com a Policia Militar, Guarda Municipal, Superintendência da Zona Sul e a Coordenadoria de Diversidade Sexual da Cidade do Rio de Janeiro junto com os organizadores do evento. O intuito dessa reunião era de esclarecer e argumentar sobre nossas preocupações.

 

Não obstante sermos favoráveis a manifestações populares, as experiências anteriores causaram grande apreensão na vizinhança.

 

De acordo com o que foi possível apurar, a autorização da Coordenadoria de Diversidade Sexual não é suficiente no que tange a realização de evento desta magnitude. Os organizadores deveriam ter providenciado documentação (autorização) junto aos demais órgãos competentes. O prazo necessário para tal é de no mínimo 60 dias para que se possa fazer um estudo de viabilidade do local. Até o momento da reunião nenhuma solicitação havia sido feita. Além disso, a AMASCO como representante do bairro, sequer foi consultada.

 

A orla de São Conrado tem um afunilamento de quase 1km na altura do muro do Gávea. É única praia do Rio em que a linha da areia está em desnível com o calçadão (de mais de 2 metros). Essa característica se mostrou extremamente perigosa por ocasião do desfile do bloco carnavalesco “A Favorita” em 2015, motivo pelo qual a Riotur concordou em transferir o desfile nos anos subsequentes e não autorizar mais eventos desse tipo na orla do bairro.

 

Essa característica física além de por em risco os participantes (foi noticiada uma expectativa de 1 milhão de pessoas), dificulta a infraestrutura para um evento desse porte tal como instalação de banheiros, segurança, transporte e alimentação.

 

Alertamos que eventos de grande porte como esse é inviável, pois prejudicam demais os moradores. São Conrado é um bairro de passagem, com apenas duas vias principais, e o fechamento de uma delas torna-se insustentável não só para os moradores de São Conrado mais todos que necessitam utilizar as vias para chegar ou sair da Barra da Tijuca sentido Zona Sul.

 

Experiências anteriores, durante o carnaval, já mostram que o bairro não tem infraestrutura para receber eventos que levem uma multidão para São Conrado. O bloco “A Favorita” em 2015 gerou o caos inclusive com depredação de instalações do Fashion Mall.

 

Vale enfatizar que a AMASCO e seu presidente não se opõem, de forma alguma, à causa LGBT. O que está em questão é a infraestrutura do bairro para receber um evento desse porte.

 

 

Atenciosamente,

José Britz

Presidente