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PADRE DJALMA RODRIGUES DE ANDRADE
À sabedoria do Mahatma Gandhi atribui-se o dito segundo o qual "a
verdade é dura, como o diamante, e frágil como a flor do pessegueiro".
Nenhuma imagem poderia expressar com mais propriedade a vulnerabilidade
da Paz, flor que se abre no coração humano, com repercussões nas
relações entre os povos. Aspiração maior do ser humano, síntese
das mais profundas buscas e dos mais puros anseios, ela brota nos
campos da verdade, serve-se do orvalho da justiça e requer cuidados
e dedicação.
A Paz, na longa história das relações humanas, conduz, no entanto,
um mistério paradoxal: tem o potencial de transformar o mundo e
saciar a nossa sede de felicidade e bem estar, no entanto, com muita
freqüência, surge longínqua no horizonte de nossas utopias, como
se de sonho não passasse. Resistente como o diamante, frágil como
a flor do pessegueiro...
Neste Natal torna-se especialmente complicado vislumbrar sinais
da flor ansiada, sentir-lhe o perfume, desviar o olhar da tragédia
dos campos de sangue e dos gritos de dor semeados pelo ódio fratricida
e pela insanidade dos espíritos. Apontar culpados ? Quem é o culpado
? Onde começa essa guerra cujos focos surgem ou ressurgem em todos
os quadrantes do planeta ? De tanto contemplar o humano sofrimento
estampado em imagens produzidas pela televisão, assalta-nos, por
vezes, a impressão de que a terra ainda está muito distante de ser
a casa do homem.
Algo está errado em nossa cultura. O homem está morrendo e os caminhos
que escolhemos tudo indica não conduzem à vida pela qual nos batemos.
Importa detectar a fonte de tamanhos desconcertos, para estancar
o mal e cultivar a semente da paz. Eis a tarefa dos construtores
de um mundo verdadeiramente humano. E aí se situa o valor do Natal,
a presença de Jesus Cristo cultivando e resgatando o coração humano.
Em verdade, as guerras entre os povos são projeções, em maior ou
menor escala, dos conflitos que tumultuam o coração das pessoas.
Trabalhar os corações, investir em tal tarefa, eis o caminho da
verdadeira PAZ. Tudo mais não passará de artifício, imposição e
domínio pela força ou pelo medo. Ou se resgata o homem, a partir
de seu coração, ou a humanidade sucumbe. A luz que se irradia do
presépio no qual se encontra o Deus fragilizado na condição de um
"filho de mulher" (na bela expressão do apóstolo Paulo) aponta para
o mais solidário dos nossos irmãos e descortina horizontes de esperança,
apesar dos pesares.
DEUS NOS DÊ UM FELIZ NATAL !
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